Review**As tears go by

É… não da mais para segurar…. e aqui vai a primeira review de um filme de Wong Kar Wai, decidi pegar algo fora do esperado, já que o “especial trilogia do amor” está em andamento e eu quis deixar na agulha minhas outras reviews dele, vou começar com seu filme que é um pouco diferente de sua grande maioria “As Tears go by”, para muitos conhecidos mas para alguns desconhecido.

Um Wong Kar Wai diferente

As tears go by é seu filme de 1988 estrelado pelos incríveis Andy Lau, Maggie Cheung e Jacky Cheung; o filme narra a história de Wah (Andy Lau) que recebe a visita de sua prima Ngor (Maggie Cheung), Ngor esta de passagem mas passa algumas noites na casa de Wah que é envolvido com muita coisa errada e o submundo da cidade é um fator constante na vida do rapaz, o “irmão” de Wah chama-se Fly e também se mete em muita confusão com as piores especies de individuos. Fly esta em constantes problemas e cabe sempre a Wah livrar a pele dele com sua lábia e uma cara de pau que só ele tem, porém tudo se complica a um nível extremo quando Fly rouba e compra briga com um dos mais poderosos lideres da região e nem Wah poderá livrar totalmente Fly disso, assim como Wah também se poem em apuros, Ngor vislumbra toda essa situação como uma delicada espectadora que apenas teme por seu primo, pois sente algo por ele.

o casal do filme na sua primeira cena juntos, Andy Lau vagabundo total dorme o dia todo

As tears go by tem um enredo magnifico, uma evolução de história perfeita, personagens simpáticos, e ingredientes excelentes para fazer com que o espectador que conhece a obra do diretor já reconheça suas características. Andy Lau na época com seus 27 anos de idade está simplesmente perfeito interpretando Wah, em cada segundo do filme ele representa um personagem cheio de vida, malandragem sem igual pois o ator combina muito para a lábia do personagem, seu personagem rouba várias cenas e é incontestável a sensação de “over-power” que ele transmite é como se a cada inicio de uma cena nós pensássemos “bem tem cinco pessoas na sala onde ele esta simplesmente aposto que ele sai dessa sala depois de bater ou enganar todas as cinco”, mesmo com essa sensação de muito poder da personagem ainda temos muitas surpresas, Wah tem um lado romântico também que é brilhantemente interpretado.

o canastrice de Jacky Cheung

Na outra ponta do filme temos Ngor que é a belíssima Maggie Cheung, sublime como sempre logo nas primeiras cenas quando Ngor conhece a casa de Wah nos primeiros instantes enquanto Wah dorme e Ngor perambula pela casa com o rosto coberto por uma mascara cirurgica (pois ela esta doente), as expressões de Ngor ao ver o primo, ao tentar entender o que ele esta pensando, ou mesmo o que ele faz da vida, é uma coisa que é evidenciada nas cenas iniciais do filme, Ngor fica curiosa ao ver seu primo voltar para casa stressado com sua vida, Maggie Cheung consegue transmitir um ar de inocência para o espectador porém sem deixa-la totalmente “idiota” como mulher, pois seus olhares são de admiração pelo primo, Wah percebe isso em poucos minutos de filme e juntos formam um casal praticamente perfeito mas separados pelo modo de vida que possuem. Jacky Cheung que na época tinha a mesma idade de Andy Lau também esta ótimo como Fly, sempre com aquele jeito meio canastrão de atuar pelo menos ao meu ver, o que não tira seus créditos mas garante muita personalidade dele ainda mais nesse personagem que tem falas e o dever de ser o “malandro que não se dá tão bem” do filme.

não... não é a cabine do Bill e Ted é do Andy e da Maggie

Em termos de atuação o filme beira a perfeição como se pôde concluir até aqui, em termos de condução de enredo que vem a primeira diferença que percebo dessa obra do diretor; diferente de sua “trilogia do amor”, ou de filmes como “Chunking express (Amores expressos)” ou mesmo até “Ashes of time (Cinzas do passado)”, o diretor nesse mantém uma narrativa… bem como poderia dizer?…. “ocidental”, onde as situações e a evolução de personagens e enredo é acompanhada pelo expectador “em fila única”, deixando de lado a característica clássica do diretor de fragmentar a história exigindo que o espectador muitas vezes desse uma interpretação pessoal dos acontecimentos que geram outros acontecimentos; não diria que essa mudança de “estilo” (neste quesito) é ruim, mas pode se fazer estranhar para quem assistiu todos os filmes do diretor e deixou esse por ultimo. As tears go by possui uma mudança no estilo do diretor talvez uma abordagem mais simples por escolha própria ou mesmo por querer experimentar algo novo, mas acho que faltou um pouquinho “de tempero” que outras obras o diretor se superou, em comparação com o cinema como um todo o nível ainda é altíssimo de condução da história mas em comparação com o “cinema de Wong Kar Wai” deixa a desejar.

As tears go by tem cenas antológicas entre Andy Lau e Maggie, o casal figura em uma das “cenas românticas” mais marcantes do cinema, embalado com uma magnifica versão de Take my breath away” em cantonês em uma cena magnifica.

Não mexa com Wah se não quiser levar um tiro no....

Para quem não conhece o diretor deixo claro que quando digo que seus filmes tem romance que não se coloque como em romance com em “E o vento levou” ou “Casablanca”, mas sim um romance mais interior (não somente exterior), um dos temas que o diretor mais domina com certeza que faz aflorar os sentimentos nas expressões dos atores.

Um bônus (video) para quem sabe do que eu estou falando: (SPOILER)

As tears go by por fim é um grande filme de um grande diretor, marca presença entre os melhores do cinema chinês com certeza, é um dos  filmes com maior ação que Wong já fez, tem um estilo diferente que destoa do restante de suas obras o que pode desagradar alguns e pode fazer o nível cair em termos de condução e ritmo do filme. Mantém o alto padrão de atores que sempre trabalha com o diretor, tem uma história bonita com um final inesperado (aliás Wong Kar Wai é mestre nisso), um filme que recomendo e dou a dica de assistir todos os filmes do diretor e deixar esse por ultimo para uma melhor comparação dos pontos diferentes dessa belíssima obra.

Nota 8.5

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